Distúrbios Urbanos

Quem nunca pegou um ônibus com um ser ouvindo funk no último volume sem fones de ouvido? Será que ele acha que a galera acha aquilo um máximo e vai começar a dançar até o chão? E quem não fica puto com motoristas que não dão seta, estacionam de qualquer jeito e, pior, estacionam nas vagas de deficientes físicos ou de idosos, sem um pingo de consciência e bom senso.

Viver numa cidade grande está uma loucura. Ao pegar um ônibus, metrô, pegar seu carro, sua bike, enfim, ao andar na rua você percebe que há muitas pessoas com distúrbios urbanos.

Foi pensando nesses absurdos da cidade – a princípio em São Paulo – que o publicitário Bernardo Tavares e o designer Luiz Parpulov idealizaram o CCDU – Campanha Contra Distúrbios Urbanos.

Conversei no Facebook com meu amigo Bernardo sobre o projeto. Confira abaixo a entrevista:


Idéias Inspiradoras: Como surgiu a idéia do projeto?

Bernardo: O projeto surgiu no dia do aniversário de São Paulo. Como sempre, eu fiz um post no Facebook, com algum pensamento diferente. Pode acreditar, o projeto saiu a partir de um simples post no FB, seguido de um comentário do agora parceiro de CCDU, Luiz Parpulov.

II: E como se desenrolou isso?

B: Eu postei: “Engraçado como as caçambas de entulho sempre encontram boas vagas para estacionar”. Depois disso o Luiz comentou, criticando outra coisa sem noção que acontece em SP, outro exemplo de falta de bom senso. Eu rebati com um comentário citando outro distúrbio urbano e dei a ideia, já com o nome criado. Falei pra ele que a gente podia criar uma campanha contra distúrbios urbanos e chamar de CCDU. E com isso combater essas coisas que incomodam todo mundo e que ninguém faz nada para mudar.

II: Ter surgido no aniversário de SP foi coincidência ou foi realmente por causa da data?

B: Coincidência não é. Mas também não foi planejado. O que fez com que surgisse no dia do aniversário de SP foi o fato de a cidade, naquele dia/semana ser pauta de papos entre os paulistanos, nos bares e obviamente nas redes sociais. No dia seguinte, ele tinha uma arte pronta.

II: Foi porque surgiu no FB que vocês resolveram que o projeto deveria ser “alojado” lá?

B: Foi automático. Ele surgiu no FB e achamos que ele devia continuar no FB. Nós criamos um flickr e o twitter e agora estamos explorando mais o twitter. Devemos ter nosso canal no YouTube em breve, mas o foco central continua sendo o FB, muito pelo dinamismo.

II: E como vocês estão sentindo a reação das pessoas?

B: A gente se alegra a cada pessoa que entra na comunidade. Os feedbacks são muito positivos. E o melhor de tudo, a galera vem de todas as partes do Brasil, com problemas diferentes e iguais e principalmente com muitas ideias e muita vontade de fazer a mudança.

II: Você acha que está sendo muito de boca-a-boca?

B: Acho que tá sendo de tela-a-tela, de perfil-a-perfil. Eu olho um por um, os perfis que entram no CCDU e vejo quem tem de amigo em comum, para saber quem pode ter influenciado. Tenho ficado muito feliz de perceber, que não são mais só amigos de amigos, são desconhecidos. Até porque faço um trabalho legal, monitorando palavras chave no twitter e mandando a campanha para os usuários, aliás, o nosso twitter é @maisbomsenso. O flickr eu nem sei, acabamos não explorando ainda. O que eu faço, é colocar sempre no instagram pessoal, e tem ganhado sempre uns 5, 6 “curtir” que já ajuda.

II: E como você se sente em fazer um projeto pessoal?

B: Eu me sinto muito bem. Muito mesmo. É algo que me dá prazer, eu me orgulho disso. E eu vejo que as pessoas começam a me enxergar como um influenciador e como alguém que pode correr atrás dos objetivos, por mim e pelos outros. Tenho sido procurado para ajudar em outras causas. E profissionalmente tem sido ótimo, pois desenvolvo meu lado criativo de uma forma que não desenvolveria no trabalho e sem interferência de cliente. Sou planner/redator/diretor de criação do projeto. Somos só 2, apoiados por 280 no CCDU atualmente, mas com a mão na massa, somos 2.

II: Vocês tem algumas parceria com algum outro projeto ou causa?

B: Eu desenvolvo vários trabalhos. Mas o CCDU em si, tem só parcerias de divulgação com outras comunidades de FB. Outras Fan Pages, tipo a Carpe Diem, para qual o Luiz reformulou o layout da imagem de apresentação deles. Foi uma forma criativa de fazer uma parceria. Mas sempre surgem uns parceiros, conforme monitoramos as palavras chave e interagimos. Pessoalmente, ajudo na campanha contra o abuso sexual infantil. A Marcha Nacional, já pelo 2º ano seguido. Faço também escolinha de futebol para crianças carentes. E ajudo a ONG Amor é um Movimento. Tudo mais na parte das ideias, e na escolinha, dando aula.

II: E as campanhas, como estão surgindo?

B: As campanhas estão seguindo uma listinha que fizemos e aos poucos abordamos temas que são sugeridos. Mas já fizemos 2 campanhas de oportunidade. E também já fiz a partir de um pensamento que tive.

II: Elas são realizadas por semana?

B: Não tem muita regra nisso, a regra principal é ser a favor do bom senso. O ideal era fazer uma vez por semana ou a cada 15 dias, mas aí surgem os problemas de agenda meus ou do Parpulov. Ou então surge um assunto que nos obriga a criar algo, tipo um ficha limpa, ou a reeleição do Sarney, que chegou a ganhar uma campanha ou mesmo o dia mundial da água que também teve campanha.

II: E para frente, o que vocês pretendem com o projeto futuramente?

B: O ideal era a gente focar nisso. Ter tempo para isso. Eu pelo menos gostaria de viver de ideias, mas sem precisar ser fixo numa agência. Talvez com uma consultoria de ideias que é um projeto meu. O Luiz trabalha que nem um louco e precisaria ter mais tempo também. O ideal é encontrar parceiros em todas as frentes, para aliviar um pouco. Atores para ações de rua, equipe de filmagem e edição, porque também queremos deixar de fazer só cartazes para web. É o que falta por enquanto, até mesmo para mostrar que não é uma brincadeira. Eu digo que o A FAVOR DO BOM SENSO (estamos querendo deixar de ser CCDU aos poucos para sermos reconhecidos assim) é uma ideia que já nasceu curtida, as pessoas só precisam conhecer. Espero que seu blog ajude nisso. Meu objetivo é fazer as pessoas pensarem “como não pensei nisso antes”.

4 pensamentos sobre “Distúrbios Urbanos

  1. Bela iniciativa. Nao sabia que o Bernardo havia feito esse projeto. Penso muito a respeito dessas pequenas coisas que ocorrem na metrópole, me deixam muito indignado e por fim irritado.
    Uma simples caminhada até o trabalho acaba estressando mais que o dia todo de trabalho.
    Freio de onibus, escapamento de moto, calçada esburacada, lixo quebrado, orelhão retorcido, cara que nã dá seta e ainda buzina…
    well, gostaria de dar o meu apoio no que for pra isso

  2. Pingback: A Banda Mais Bonita da Cidade « Idéias Inspiradoras

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